domingo, junho 18, 2006


"The only people for me are the mad ones, the ones who are mad to live, mad to talk, mad to be saved, desirous of everything at the same time, the ones who never yawn or say a commonplace thing, but burn, burn, burn, like fabulous yellow roman candles exploding like spiders across the stars..."

sábado, junho 17, 2006

Buracos
Após alguns anos de interregno, eis que regresso a casa. Um regresso que, por si, pode, desde logo, apresentar a descoberta de novas realidades citadinas. Estradas esburacadas. Grandes crateras e outras menores, que não se desviam enquanto conduzo. Património municipal.
Depois de algum calão e rosnares imperceptíveis vejo, ao longe, alguém que me prende a atenção. Não por uma qualquer razão especial, mas porque noto nesse transeunte a existência de um notável buraco. Um buraco na alma. Invadiu-me, então, um espírito "voyeur", que não controlei. Metros adiante, como que por magia, um grupo de pessoas. Altamente esburacados. Dentro de si.
Já não são evidentes os buracos terrestres. Agora são as pessoas. Antes de chegar a casa encontro inúmeros buracos (todos iguais, assustadoramente iguais, buracos que se alimentam de outros buracos; e causam sangue por dentro). As pessoas. As que andam por aí. Criaturas clonadas. Como eu.

sexta-feira, junho 16, 2006

Despidos

A euforia cresce com a infelicidade estampada na alma cobarde da ignorância. Só gosto da euforia implícita do momento. Explosões interinas. Conversas esvoaçantes e os mestres improvisadores ao fundo. Não quero mais a euforia que mata, a ansiedade aniquiladora, o pânico do tempo. E o sol? Ah! O sol. Amigo traidor. Que queima e crucifixa a busca racional de mim. De ti. Prefiro o sol que acaricia a lua numa noite de magia. A verdade: cabeça ao sol, pensamento absorto. E o verão? Amigo infiel, noites bastardas de auto-infidelidade.É por isso que gosto mais da sinceridade. Que chega com a penúltima estação. E o coração agradece. Calma senhores, atenção senhoras, a melhor euforia é buscar euforicamente a realidade para junto dos nossos pés. Julgo eu. Mas quem sou eu? Mais um, perdido na armadilha ardilosa da euforia.



quarta-feira, junho 14, 2006

Cinema

Pairava no ar aquele momento brilhante do êxtase. Quando ambos os corpos implodem em sensações pouco explicáveis. O final acto fatal. A sensualidade do momento fazia vibrar silenciosamente o peito apertado. Nada é mais belo e verdadeiro no amor que a despedida dos amantes. O arrebatamento do desespero. Corpos que se deslocam em sentido contrário e a certeza de que o amor não morrerá pelo tempo fora. A chuva,a estrada desértica,o beijo.
De facto, e apesar de se tratar de um clássico, o filme não cativou uma ida ao cinema. Naquela sala negra, como o negro da película, vislumbravam-se apenas duas formas humanas que se dissolviam por entre as cadeiras.
Bom, parece que se conhecem. Só não se encontravam há alguns anos.
Depois da surpresa, decidiram caminhar juntos,à chuva, pela estrada desértica, recordando beijos de outrora.
J.M.