quarta-feira, junho 14, 2006

Cinema

Pairava no ar aquele momento brilhante do êxtase. Quando ambos os corpos implodem em sensações pouco explicáveis. O final acto fatal. A sensualidade do momento fazia vibrar silenciosamente o peito apertado. Nada é mais belo e verdadeiro no amor que a despedida dos amantes. O arrebatamento do desespero. Corpos que se deslocam em sentido contrário e a certeza de que o amor não morrerá pelo tempo fora. A chuva,a estrada desértica,o beijo.
De facto, e apesar de se tratar de um clássico, o filme não cativou uma ida ao cinema. Naquela sala negra, como o negro da película, vislumbravam-se apenas duas formas humanas que se dissolviam por entre as cadeiras.
Bom, parece que se conhecem. Só não se encontravam há alguns anos.
Depois da surpresa, decidiram caminhar juntos,à chuva, pela estrada desértica, recordando beijos de outrora.
J.M.