Buracos
Após alguns anos de interregno, eis que regresso a casa. Um regresso que, por si, pode, desde logo, apresentar a descoberta de novas realidades citadinas. Estradas esburacadas. Grandes crateras e outras menores, que não se desviam enquanto conduzo. Património municipal.
Depois de algum calão e rosnares imperceptíveis vejo, ao longe, alguém que me prende a atenção. Não por uma qualquer razão especial, mas porque noto nesse transeunte a existência de um notável buraco. Um buraco na alma. Invadiu-me, então, um espírito "voyeur", que não controlei. Metros adiante, como que por magia, um grupo de pessoas. Altamente esburacados. Dentro de si.
Já não são evidentes os buracos terrestres. Agora são as pessoas. Antes de chegar a casa encontro inúmeros buracos (todos iguais, assustadoramente iguais, buracos que se alimentam de outros buracos; e causam sangue por dentro). As pessoas. As que andam por aí. Criaturas clonadas. Como eu.

2 Comments:
É bom teres a visão dos buracos. Ao menos não cais neles...
Abraço.
A queda é certa. Para todos. Julgo eu. Importante é saber como sair do buraco.
Muito obrigado pelas tuas palavras no buraco que é este blog. Fico à espera de mais. Abraço, amigo.
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